Categoria: Ficção
-

Nome sujo
Conto publicado na revista Granta, edição In Memoriam The people you love become ghosts inside of you and like this you keep them alive Robert Montgomery 1. A escrita O arquiteto se inclina para dentro do armário e percebe lá no fundo um pequeno rolo de papel branco. O objeto em si era como um…
-

A vida é Honduras
Primeiro vamos tomar a América, depois a gente ocupa a Europa. Mas por enquanto a vida é Honduras, meu neto
-

O Conto de Natal de Auggie Wren
25 de dezembro tem outro sentido pra este velho ateu vindo de uma família tão fragmentada quanto um arquipélago
-

No que eu acredito
Um poema em prosa de JG Ballard
-

Escalpo!
Lanço nesta terça-feira 8-8 meu novo romance
-

Já vai, 2016?
Um dia você vai ter saudade daquele ano horrível quando nosso choro nunca terminava
-

Síndrome do Comecinho
Sou só um absolute beginner, ele me dizia. Nova série de Doenças Crônicas na revista Pessoa
-

Poema desentranhado da entrevista de um Nobel pop
A transfiguração me permitiu me arrastar para fora do caos e voar acima dele
-

O último livro do Cinema Nuvem
Talvez estivesse perto da meia-noite e o fogo soasse como um sino dentro da fornalha. Este é o meu nome. Richard Brautigan
-

Submarino
Laboratório de mergulho na ficção breve
-

Aquele cantinho maluco e perigoso que você sabe bem onde é
Um capítulo de Monólogos do Poliamor, meu próximo romance
-

Contos Para o Próximo Milênio
. De 03 de agosto a 28 de setembro, dou o laboratório Contos Para o Próximo Milênio no Espaço Revista Cult
-

Formas breves
Em julho abro um laboratório de férias na Casa do Saber: Formas Breves.
-

Museu do Futebol
-

Ficção ou não-ficção?
-

Mnemomáquina
O FUTURO ESTÁ NO PASSADO
-

Ladeira Tim Maia
O pai leva a filha nos ombros
-

Os impostores
Nos anos 80/90, de ônibus, as bandas cover cruzavam o país levando aos rincões mais longínquos do Brasil Profundo o rock que só era visto na TV Sim, meus caros, também tive meus dias de pop star — melhor dizendo, de pobre star. Fim dos anos 80, ressaca do rock nacional, o Brasil foi infestado…
-

V.I.S.H.N.U. 12-12-12.
Te espero nesta quarta-feira para o lançamento da primeira graphic novel que roteirizei, V.I.S.H.N.U., parceria com o argumentista Eric Acher e o artista Fabio Cobiaco, publicada pela Companhia das Letras. No Espaço Revista Cult, rua Inácio Pereira da Rocha, 400, Vila Madalena, a partir das 19h. Ou a partir das 23h, na Mercearia S.Pedro, rua…
-

O último concerto pop
Esse lugar vai acabar por causa do progresso inexorável da cidade o progresso vai acabar com a experiência de assistir a um show o progresso vai acabar com a experiência o progresso é o work in progress sem o in na plateia ninguém acende cigarros baseados beijos acendem-se flashes iphones ipads a experiência precisa ser…
-

Desentranhado da entrevista de um mito
Composição musical tem a ver com melodia e ritmo e depois disso vale tudo A transfiguração me arrastou para fora do caos e voei acima dele O velho vai embora e o novo entra sem fronteira definida não existe fronteira definida entre o dia e a noite é como mágica é necessário se conectar a…
-

Que maravilha poder te alcançar
Que maravilha poder te alcançar via skype, estava com saudade das nossas conversas, outro dia vi uma cena que precisava te contar. Tinha ido jantar sozinha, naquele bistrô que a gente costumava ir, e como sempre fico de olho nas outras mesas, imaginando como são as vidas das outras pessoas, no que trabalham, se são…
-

Serpentário
Os cabos no quarto de despejos são cobras em busca de conexão perdida, de uma tomada elétrica ou um plugue que as ressuscite As cobras no quarto de desprezos são feras que gemem, amargas: onde as máquinas de antanho? onde os gadgets do meu sertão? As feras no quarto de espelhos são plástico, cobre, fibra…
-

Adeus, dasluzete
Em homenagem à finada Eliana Tranchesi, cuja revista Daslu tantos frilas muito bem pagos bancaram botecox & boletos, segue um conto escrito por ocasião do já lendário show de Marcelo D2 e Seu Jorge na citada butique – verdadeiro choque de civilizações que rolou ali no meio dos anos 00 [hoje nem parece tão chocante…
-

Life’s a beach
Querido eu: se você estivesse aqui veria as bundas das meninas que postam seus sorrisos no Facebook a carne jovem de Waimea e a carne gorda de Waimea nas lentes gordas de Waimea Meu velho eu isso aqui no verão deve ser muito mais farofa mesmo que estar sendo e ter sido se igualem na…
-

Ionesco não mora mais aqui
O rinoceronte negro foi extinto diz a manchete do jornal que, dizem, logo mais também será extinto e o jornal ainda avisa: o rinoceronte branco pode estar igualmente fora de combate Tanto o rinoceronte negro quanto o rinoceronte branco eram cinzentos a diferença é que o negro comia árvores e frutos, e o branco, grama…
-

A casa da dor de cabeça
Um poema em prosa do nobelizado Tomas Tranströmer Eu acordei dentro da dor da cabeça. A dor de cabeça é um quarto onde tenho que ficar enquanto não consigo pagar o aluguel de outro lugar. Cada cabelo dói até ficar grisalho. Existe uma dor dentro daquele nó górdio, o cérebro, que quer fazer tantas coisas…
-
Um tchau (à Alvim)
então fica assim: a gente vai se falando
-
Para um infante que viaja solo
So where have you been my blue-eyed son? Sobre o Atlântico jogando Nintendo? Te arrumei um lugar à melhor janela Bom camarote pro apocalipse da grana Claro, você pode trocar os Piratas do Caribe Pela Ilha do Tesouro ou pelas tiras do Calvin Pode pensar nos cabelos da tua nova irmã esquimó Ou estender as…
-

Bolaño, Fonseca, Cortázar, Lins
Tradução de um trecho de La Literatura Nazi en América, de Roberto Bolaño
-

100 noção
Faz mais ou menos 22 anos que eu faço parte desses 100 anos. Uma das raras coisas de que realmente posso falar ‘faço parte’ é esse bando de loucos. Fiquem com dois modestos golzinhos para comemorar o centenário do Sport Club Corinthians Paulista. O primeiro é o doc Só Quem É Sabe O Que É,…
-

100 = 0
90 Passeamos por cidades insensatas como robôs. Vamos de um sexo a outro para chegar sempre à mesma casa. Falamos mais ou menos as mesmas coisas, com algumas ligeiras variações. Comemos vegetais ou animais, mas nunca mais do que os disponíveis: em nenhum lugar nos servem a Ave do Paraíso ou a Rosa dos Ventos.…
-
Outro assalto
Tomamos e fomos pra praia. No chão, uma espécie de depressão. Ninguém se mexe, por um bom tempo, com medo. Um cavalo vem. Foi andando sobre o pequeno vale. Percebemos que o tal buraco era só uma sombra feita por um coqueiro. Lentos, resolvemos continuar andando. O cavalo cada vez mais vermelho, longe. Virado, meu…
-
Amor número 2
o totó dele o totó dela fizeram cocô na mesma esquina ele abaixou para pegar o cocô ela abaixou para pegar o cocô bateram cabeças no mormaço olhos nos olhos cocôs nas mãos sininhos nos ouvidos ela usa uma luva de plástico ele uma sacola de supermercado ‘o seu totó é tão fofo’, ambos dizem…
-
Legenda
São seis da tarde e um caminhão assoma na esquina. Um caminhão enorme, luzes fosforescentes, rebaixadão, rodas brilhantes, pintura negra, insulfilm nos vidros. Faz um barulho absurdo que silencia todo o bar. Vem chegando vagaroso, sinistro. Muito lento – como um imenso elefante orgulhoso. Carrega, ao que parece, muitos sacos de cimentos (à distância, parecem…
-
RIP Seymour Glass
Los cibermonos de Locombia Fragmento do relatório do Agente Zed Stein, encontrado em um sebo de livros escolares no mercado de Getsemaní, em Cartagena de Indias, maio de 2051. É o último documento deixado por Stein antes de desligar-se da Divisão dos Não-Lineares De: Agente Zed Stein Para: Subcomandante Mark Sandman Asunto: El desaparecimiento del…
-

Como por encanto
“Pra mim Auster parece um escritor que desperta geralmente toda simpatia literária e que em qualquer caso sempre me parece simplesmente encantador. Da mesma forma que lhe perdôo tudo”, diz Vila-Matas
-
#23: A psicologia dos icebergs
De novo acordar que teve outra vida. De novo lembrar ter avistado a si por de sobre, por detrás do ombro. O sonho fugidio, sabia, já tinha sentido isso diversas vezes, nasceria e se apagaria no fim desse mesmo dia, feito flor de cacto. Sentir saudade de uma mera amnésia, não lembranças fragmentadas que nunca…
-

Exploding bats!
Página da graphic novel V.I.S.H.N.U. All rights reserved ABC Comix [Acher + Bressane + Cobiaco] & RT/Features
-

Carne de conto
“Ela era Hemingway” por Enrique Vila-Matas – Parece que vai chover – disse aquele dia ao entrar na aula. Era um meio-dia cinzento de primavera, mas não havia ameaça alguma de chuva. Se disse aquilo foi só para que os estudantes começassem a entrar na matéria, na matéria do conto que pensava em ler para…
-
Assinei o BO
Apesar do último dia 25 ter se encerrado com a triste notícia aí embaixo, a tarde foi marcada por uma nota quente: a assinatura do contrato da primeira graphic novel que roteirizo. Detalhes sobre a HQ, só adiante [afinal ainda faltam umas 70 páginas pra eu finalizar a dita]. Mas já dá pra dedurar os…
-
Premer para puxar parte
“Primeira aula de levitação“, ilustra Eva Uviedo. Em cartaz no elevador ‘H’ do SescPinheiros, rua Paes Leme, 195
-
Los cibermonos de Locombia
Fragmento do relatório do Agente Zed Stein encontrado em um sebo no mercado de Getsemaní, em Cartagena de Índias, 2051 . De: Agente Zed Stein Para: Subcomandante Mark Sandman Asunto: El desaparecimiento del Agente Seymour Glass En: Barichara, Colômbia, 12 de março de 2047 Voy te contar, papito. No es facil escrivir nesta lengua nueva.…
-
Plaza de Toros Santamaria. Bogotá. 8 de febrero de 2009
[Una reportaje en portuñol selbaje] . . En la Plaza Santamaria de Bogotá ya no hay billetes Y los billetes que hay aún los cambistas viendem por 300 dólares Vaqueras rosadas anunciam chifres de cuero llenos de licores Afuera de la Plaza un Callerero dispõe sus instrumientos de trabajo Asesinos!, gritam os manifestantes Pró-Animales en…
-
Não estaria aqui não fosse ele
Eu tinha 13 anos e nenhum amigo em Porto Alegre. Uma cidade bonita, fria e, para um adolescente paulistano, irremediavelmente caipira e bairrista. Me salvou a bela biblioteca do colégio Glória, onde achei O Livro Preto. Histórias extraordinárias. Pra que amigos, quando você é um creep que acabou de encontrar o seu weirdo gêmeo? A…
-
Poema em branco
Nem sombra de escrita Meus dedos não me obedecem mais Nem minha cabeça Nem as nuvens Nada nunca me obedeceu Matar o ressentimento, ser positivo Esquecer as conspirações dos espíritos e das calçadas Esquecer o fluxo da notícia O rio de pensamentos alheios que invade minhas margens Esquecer os próprios mitos Os cigarros que nos…
-

Bien que podia llover, non?
Pra molhar esse agosto seco e sacal, mais um do mestre chileno, num livrim que a amigona Carola González trouxe de Barça: Sangrento dia de chuva Ah, sangrento dia de chuva, que fazes na alma dos desamparados, sangrento dia de vontade apenas entrevista: detrás da cortina de juncos, no lodaçal, com os dedos dos pés…
-
Mais imposturas na rede
Minha sista Renata Terepins baseou um projeto para o master de design & fotografia que faz em Barcelona em alguns poemas e contos deste Impostor. O livro ficou lindo! Muchas gracias, Re.
-
I believe in iGod
MC Escher, Circle Limit IV Na Sexta-feira Santa, ele liga o carro e o iPod, sempre no shuffle. Vila Madalena, “Sympathy for the Devil”, Stones. 6’27” depois, está na porta do Inferno, Augusta. Os Stones silenciam. Daqui a pouco começa o show da Vanguart. . “O bom senso diz que computadores devem ser usados para…
-
Os infernos possíveis
Por que não postar meus livros na net? Demorou. Aqui você encontra Os infernos possíveis, livro que publiquei pela Com-Arte/USP em 1999 – e que me levou a ser etiquetado sob a infame Geração Noventa [ou Geração Nojenta, como diz o Joca]. Alguns contos hoje me parecem tão terríveis que acho mesmo que não vou…