Ficção/Tradução

A casa da dor de cabeça

Alguém dê uma aspirina ao pobre Tomas

Um poema em prosa do nobelizado Tomas Tranströmer

Eu acordei dentro da dor da cabeça. A dor de cabeça é um quarto onde tenho que ficar enquanto não consigo pagar o aluguel de outro lugar. Cada cabelo dói até ficar grisalho. Existe uma dor dentro daquele nó górdio, o cérebro, que quer fazer tantas coisas em tantas direções. A dor também é uma meia-lua pendurada no céu azul-claro; a cor desaparece da minha cara; meu nariz está inclinado pra baixo; e eu tenho essa forquilha de adivinhação que deixo toda apontada para uma corrente subterrânea lá embaixo. Me mudei para uma casa construída no lugar errado; existe um pólo magnético logo embaixo da cama, logo embaixo do travesseiro, e quando as condições metereológicas mudam sob a cama, eu fico carregado. O tempo passa e eu tento imaginar que um quiropata celestial está me beliscando com um alicante milagroso na minha vértebra cervical, um alicate que irá me repor vida de uma vez por todas. Mas a casa da dor de cabeça ainda não está pronta para ser escrita. Primeiro eu tenho de viver ali por uma, duas horas, metade de um dia. E, se eu comecei dizendo que era um quarto, agora mudei para uma casa. A questão então é: não será uma cidade inteira? O trânsito está insuportavelmente lento aqui. Logo as notícias vão sair. E em algum lugar um telefone está tocando.

> Traduzido do inglês via New Yorker (John Matthias e Lars-Hakan Svensson o verteram do sueco). O El País bateu um bom papo com o poeta.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s