Tiro ao Álvaro 2008


'Se segura, malandro... pra fazer a cabeça tem hora'
Se segura, malandro... pra fazer a cabeça tem hora
Chegou o momento-mala de fazê-la e sair fora. 15 dias em Katrina. Antes, a hora-sansonite de todo blog: thebestofyear.

Como citou o Natal, só sendo um psicopata como o Matias pra listar os 50 discos e as 50 músicas do ano. Eu mal lembro o que comi ontem. E concordo com o Bruno: no fim acaba ficando tudo meio parecido [imagine quantas listas não vão dar o superpremiado romance do Tezza como O Livro do Ano. Agora imagine quantos jornalistas DE FATO o leram]. O único jeito é levar pro lado pessoal.

Depois do último nariz-de-cera do ano [é, curto preambular, deambular, sonambular], o Prêmio Tiro ao Álvaro 2008 vai para:

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Prêmio Meu Negro de Estimação: Obama, claro. Se ele vai durar, vai fazer o que prometeu, não é comigo. Só pelos discursos fodões e por me ter feito repensar a legitimidade da democracia, vai pro trono. That’s my nigga

Não Fui e Não Gostei: na buena, os castings da maioria dos festivais esse ano foram caidaços. Obviedades, uma pá de tiozinho, um monte de wannabe, carajadas de falsas promessas. Preços inflados, vendas de ingressos mentirosas, deslumbrettes e vips em excesso, hypação plena, ouvintes lesados e punch de menos. Junte nesse pacotão os caros e caricatos Dylan, Caetano, João Gilberto e Roberto e manda fuera pela ventana. Aprendam com os caras que em 2009 vão trazer Radiohead, e com a abertura de Kraftwerk . Que tal trazer um velhote que realmente faz diferença – e nunca veio?

Pulitzer Brasuca: pro meu bróder e anfitrião João Valadares [sim, aqui todos os prêmios são vendidos], que comeu todo mundo esse ano denunciando a ultraviolência bizarra que aterroriza o Recife. Folha e Estadón, façam uma boa oferta ao melhor repórter do Brasil que ele vem

Preguiça Total: A totalidade dos jornais, revistas e até blogs respeitáveis cobrindo [de baba] o show da Matronna. Não desgosto da tia, mas porra, que ambição por ser press release, caray. Estendo a comenda aos mesmos veículos que novelizaram caso Nardoni, caso Susana, caso Luana e esquecem que the truth is out there – ou talvez, out here

Grito de Torcida Mais Bizarro: Não foi o já clássico “Aqui tem um bando de louco”… mas sim um “O-BRI-GA-ÇÃO!!!” cantado por 10 mil integrantes da Gaviões da Fiel, quando o Alvinegro fez a volta olímpica após faturar o título da Série B. A comemoração sisuda e nazi assustou este corinthiano bobo alegre

Melhor Ressurreição: o bróder Joca Terron trazendo de volta à blogosfera poemas fudidos e dicas ducas [infelizmente maculadas pelas menções fofas ao escrete bambi]

Inveja Branca: pro conto “Prefiguração de Lalo Cura”, de Roberto Bolaño, em Putas Assassinas, lançado aqui esse ano. 2666 foi o melhor livro lido ano passado, no entanto neste o chileno me deu de novo o prazer de achar um conto perfeito

Refrão Matador: “Pareço moderno/ pareço Roberto/ a te procurar”, do Tatá Aeroplano [Cérebro Eletrônico] – a canção intitula o álbum que mais tocou aqui em casa. De quebra, com o álbum Tatá devolveu à luz o gênio esquecido Sérgio Sampaio

Mallus do Ano: as estréias ficcionais de Vanessa Barbara, Emílio Fraia, Fabrício Corsaletti, Cecília Giannetti, Carol Bensimon, Cristiane Lisboa e Chico Mattoso. Não bastasse aos tios da G90 suarem pra driblar a G00, chegou junto a G05 – fodió

Melhor Efémeride: entre tantos aniversários com salgadinho azedo e guaraná quente – bossa nova, maio de 68, Machadão, Guimarães e um longo etc – , fecho com os 40 anos da Mercearia S.Pedro: coisa rara num país, numa cidade e num bairro sem memória [a Madalena tá virando Olímpia], um boteco atinge sua 4a década lotado e renovado, sem perder a cara de pé-sujo chapa-quente. Vida longa às garrafas peludas e ao encontro da literatura tarja-preta com o Diabo Verde

Peça Periodística Mais Impressionante: A medalha vai para o perfil de um sujeito cujo sigilo bancário foi quebrado, escrito por um banqueiro – esta reportagem do João Moreira Salles sobre o Caseiro Francenildo. Achei uma boa análise deste surpreendente capítulo do telecatch Casa Grande X Senzala no blog da Tainara

Régis 08neurônios: aos leitores cretinos que entram aqui e não diferenciam nariz de porco de tomada. Vocês mesmos, que continuarão a ter seus comments deletados. Pronto, agora podem voltar a comer sucrilhos com galantamina

Popsong: “Evaporar“, do Little Joy. Até o pai do Lúcio Ribeiro já sacou que este é o álbum do verão de 2009: driblando uma possível egotrip, Amarante uniu pop clássico, bossanova, reggae, leseira californiana e psicodelia light de maneira quase punk de tão singela e em pouquíssimos acordes redefiniu o conceito de bacaneza. Encostada vai a linda “With strangers

Vergonha Alheia na Tela: Difícil hein? Voto em Desafinados, título autoexplicativo. Tem tudo que há de ruim no cinema nacional – roteiro descosturado, diálogos constrangedores, atmosfera piegas e um tanto pretensiosa [e oportunista], e creia, conseguiram: uma péssima trilha sonora. Os atores até que são bons, mas cada fala… Só se salva o nu da musa Claudia Abreu. Dos gringos, escolho o Hulk pelos diálogos em portunhol canadense

Pueta Bom é Pueta Morto: Emily Dickinson via Augusto de Campos, Não sou ninguém, edição feinha mas indispensável pelas maravilhas ali dentro. Virando o eixo pros Puetas Vivos, quem viu a genial antologia-ao-vivo Orquestra Literária tocada por Scott & Flu no Sesc não vai ver mais – o incansável Fofão esqueceu de pedir pra alguém filmar…

Show Foda: Bonnie ‘Prince’ Billy no StudioSP, lógico – pra quem conseguiu ouvi-lo por trás dos gritos dos folkeros lokos Grampá e Carcarah. Três horas de preciosidades com uma lenda-viva não é qualquer noite que se tem. Seguido de perto pelos shows do Vanguart no início do ano. Mas agora chega de violão-e-gaita, né. Folk hype é coisa fake

Prêmio Jaburu: o pior literato é ele, sempre ele: Paulo Coelho – não por seu livro nem sua autobiografia, e sim pela broxante entrevista que deu à Playboy. Vale lembrar que o grão-mestre da picaretagem concorre a pior romance erótico do mundo

Toonzeiros: O supracitado aqualouco e workaholic Vovô, pelo traço foderoso de Mesmo Delivery; a sickness do Rafael Sica; e a contínua reinvenção da tira, pelo transformer Laerte. Da gringa, a graphic novel mais incrível foi Epiléptico, do David B. Em breve teremos coisas desse tamanho por aqui…

Tiatro: quase não fui ao teatro esse ano, mas esse Manifesto, em que profetas urbanos declamavam trechos dos manifestos comunista, dadaísta, surrealista etc, foi das coisas mais legais dentro da Mostra Sesc Artes 2008. Aliás, na cultura brasileira sobraria pouca coisa de inovador e acessível sem o empurrãozinho de bolsas e leis de incentivo; uma delas é justamente o Sesc

Grande Babão na Gravata: Dá pra fazer uns dez topten, mas sou fiel aos meus idiotas de estimação e voto no Alcir Pécora. Pela visão míope nas resenhas literárias, sintetiza a falta de sintonia entre academia, imprensa e o que se escreve hoje, demonstrando que a crítica literária brasileira, salvo uns 3 ou 4 nomes, é cada vez mais irrelevante. Gentil e mariosabinamente divido a comenda com os caras que lobotomizam a classe média ‘cobrindo’ cultura na Veja

Merda do Ano: a passagem de Fausto Wolff, Valêncio Xavier, Ricardo Guilherme Dicke, Manoel Carlos Karam, Alexander Solzhenitsyn e Albert Cossery foi triste – ainda mais por sabermos que não deixam sucessores [ao contrário dos recém-defuntos Normal Mailer, Arthur C. Clarke]. Porém imaginem o que o apenas quarentão David Foster Wallace poderia ainda vir a escrever, antes de mandar vir o buraco negro – e sintam o tamanho do buraco

Melhor Película: Não vi ainda alguns candidatos [como o Feliz Natal], mas me surpreendi com o Linha de Passe, da dupla Thomas/Salles. Infelizmente as boas intenções maurícias no fim [o confronto do motoboy com o playboy] roubam 2 pontos da película. Esse ano não tivemos um Cheiro do ralo nem um Tropa de Elite. O bom é que 2009 promete. De fora, a coisa mais legal que eu vi e revi e tresvi esse ano foi a completa saga Star Wars. Em Lego. No Wii – cortesia Lorenzo

Dois Minutos de Ódio: por falar em Veja… se você anda meio macambúzio, meditabundo, jururu, precisando de um punchzinho, uma vontade de arrancar a dentes o coração de um saco de pancada, basta ler o blog do Reinaldo Azevedo. Caso prossiga por mais de 2 minutos sem sentir raiva da humanidade que pariu tão infeliz elemento, puxe a descarga e boa viagem

Back to the Future: a edição das obras completas de William Gibson [Aleph]. Pena que aqui – e entre pessoas tidas inteligentes – ainda se confunda ficção-científica com subgênero literário

Melhor Flop: A Bienal do Vazio, lógico. Aonde, naturalmente, não fui nem gostei. Menção honrosa para a invasão dos pixadores à Choque Cultural, canibalização inútil de uma boa idéia, e a corrompida Lei Seca, que só pegou manés – e o mineiro bebim

Clique Obrigatório : o Trabalho Sujo do Matias, claro, direto do coletivo OEsquema. Há que se louvar um tio que só tira a bunda em frente à tela pra DJar na festa Gente Bonita, alimentando seu personal monstrinho até 20 vezes por dia. Mas pressinto que em breve o editor do Link vai precisar de uma acupuntura… Menção elegante pras dicas do Lombardi e dos colírios da Dani Arrais. Só três exemplos pra refletir: em plena web 2.0, banda 4 megas, agregadores de feeds e o cazzo a 4, pra que diabos servem as velhuscas seções de ‘variedades’ e ‘notinhas’ das revistas impressas e televisivas? Mero conteúdo pra ler cagando, por supuesto. Editores, bora pensar, carayy

BadMothafucka: Dantas? Dunga? Dado? Que se fodam. Aqui no Impostor um real badmothafucka é quem botou pra foder, não pra ser fodido. E o campeão vem do além-mundo: Roberto Bolaño, o nome mais citado pelos suplementos literários all over the world como o escritor a ser batido, uma vez que sua obra começa a ser vertida toda para o inglês [já em idioma shakespeareano, 2666 só vai chegar aqui em 2010]. Segue-o de perto Philip Roth: mal lançou o melancólico Exit ghost, emendou com o divertido Indignation, que aparece aqui no primeiro semestre. Alguém segure esse tiozão…

Filho da Puta Master: Nada tão espantoso quanto A arte de fazer efeito sem causa, do Mutarelli. A não ser, claro, a novela in progress Vitorfasano – o futuro da literatura?

Loser 2008: Amy? Gabeira? M.Silva? Dyego Hypóllyto? Luxemburro? Padre Voador? Martaxa? Pixadora da Bienal? Pedro Cardoso? Renato Gaúcho? Certamente a categoria mais concorrida do nosso Tiro ao Álvaro. Mas a esses fulanos midiáticos eu prefiro este anônimo tiozim [Levino vota no Super-Homem para Loser dos Anos 00]

Grande Prêmio Tiro ao Álvaro e Pulitzer Impostor: Muntadar al-Zaidi, que recriou de forma original a máxima “Repórter bom é o que suja o sapato” – apesar de já ter se desculpado por ter passado a régua, com seu gesto brilhante, nos piores 8 anos do Império. Mas beleza; eis un hombre de cojones

Prêmio Especial Onde É Que Você Estava Todos Esses Anos?: Miss Juliana Vettore. Sem explicações…

Bons tiros aos álvaros pra todos em 2009!

Fui,

RB

Autor: rbressane

Writer, journalist, editor

8 pensamentos

  1. notícia do ano, pra mim, é a madonna dando uns cato no jesus… vai ser incestuosa assim lá na bíblia. faltou a categoria Loser do ano, que em 2008 não tem pra ninguém: marcelo silva virou hors concours até por que, né.

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