A internet me deixou burro muito burro demais

Via Matias, o ubíquo, o onisciente, cheguei neste excelente artigo do Nicholas Carr na Athlantic Monthly. Pode pegar sua carapuça, régis:

” Dave, pare. Pare, entendeu? Pare, Dave. Você vai parar, Dave?” Assim o supercomputador HAL implora ao implacável astronauta Dave Bowman numa famosa e estranhamente comovente cena no finzinho de 2001, de Kubrick. Bowman, que quase morreu quando atirado ao espaço pela zuada máquina, está calma e friamente desconectando os circuitos de memória que controlam seu cérebro artifical. “Dave, minha mente está indo embora”, HAL diz, desamparado. “Eu posso sentir. Eu posso sentir.”

Posso sentir também. Nos últimos anos tenho sentido um desconfortável senso de que alguém, ou algo, tem acochambrado meus miolos, remapeando o circuito neural, reprogramando a memória. Minha mente não está indo – até onde posso dizer – mas está mudando. Não penso do jeito que pensava. Posso sentir isso mais forte quando estou lendo. Imergir num livro ou num artigo extenso costumava ser mais fácil.

Minha mente podia pegar a narrativa nos rodeios do argumento, e eu gastava horas passeando por longos trechos de prosa. É raro acontecer isso hoje. Agora minha concentração costuma começar a cair em duas ou três páginas. Fico inquieto, perco o fio da meada, começo a procurar outra coisa pra fazer. Sinto que estou sempre puxando meu cérebro de volta para o texto. A leitura profunda que costumava vir naturalmente agora chega como uma luta.

Acho que eu sei o que está rolando. Por mais de uma década, gastei muito do meu tempo online, procurando e surfando e às vezes adicionando enormes volumes de dados da internet.

Já tinha escrito sobre essa parada uns 7 anos atrás. Bem fez o Galera, que vai passar um ano em um pico onde a internet é a manivela. By the way, não, não terminei de ler o artigo…

Autor: rbressane

Writer, journalist, editor

7 pensamentos

  1. Eu sempre tive dificuldade em abstrair. A internet realmente piorou isso. Mas acho que ganhei noutros lados… estou me sentindo um pouco mais “serendipizável”, um pouco mais PKD… consigo ser mais caótica e surpreendente nas idéias.
    Talvez a gente sentir que esteja ficando burro seja só o pensamento se reorganizando. Realmente não pensamos mais como pensávamos. As conversas também mudaram. Ficou tudo hipertextual.

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