Entorpecente

Uma pin-up que alivia a ressaca levando à testa o gelo de um copo de uísque. Humm. Começa bem. E continua melhor ainda. O nome da moça é adequado ao visual e à voz: Amy Winehouse [algo tipo “adega”]. Já arranhei todos os gigabytes de seu álbum Back to black em meu HD, de tanto que ouço, sem parar. Ah, a voz. É uma inglesa branquela, bocuda, toda crivada de tattoos de pin-ups [muito parecidas com ela], de uns 23 anos – mas com voz de negona de New Orleans dos anos 40. No vídeo aí de cima, ela canta: “I told ya, I was troubled – you know, I’m not good”. Se no vídeo já passa essa sensação de perigo, imagino ao vivo [aqui tem um link do Jools Holland show – gravado no réveillon de 2007 – em que ela balança a saia sutil e safadamente como nenhuma dessas novas cantoras de R&B jamais conseguirá]. Mas humm, esqueça as tattoos, a pinta, a bocona e até a esvoaçante saia. Fazia tempo que não se ouvia uma voz tão carregada de dor, sacanagem, profundidade, tristeza e maldade – Amy faz La Peyroux parecer o que diziam que era: uma excelente contrafação de Billie Holiday. Amy é coisa mais nova – justamente porque parece tão antiga. Tão antigo quanto aliviar a última ressaca com a próxima rodada de veneno.

Autor: rbressane

Writer, journalist, editor

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