Este poema se autodestruirá

O reino da Dinamarca fica tão longe
o cheiro de podre não chegará aqui
meu filho constrói castelos de Lego
devo não nego pago quando puder
as saudades que invento de Londrina
a oitocentos quilômetros da retina
se sente mais o fogo de um escorpião

I think I made you up inside my head
Kim Jong Il brinca no mar de Big Bang
e eu que nunca fui fã de Nara Leão
cismei de ouvir bossanova e levitar
enquanto meu filho destrói castelos
Kim Jong Il aperta o botão da bomba
e Nara manda notas safadas do Paraná

Nuvens de metal escurecem o horizonte
e as peças do castelo de Lego se tornam
versos de um poema que vou explodir
41.279 graus norte 129.087 graus leste

Mas mesmo que a bomba coreana
devaste nosso reino dinamarquês
pulverize toda a saudade que tenho
nada importará à ácida garoa daqui

Neste domingo de Lego e Sylvia Plath
só quero recriar o perfume de Londrina
Les Paradis Artificiels na cama estreita
I shut my eyes and all the world drops dead


Posted

in

,

by

Tags:

Comments

4 respostas a “Este poema se autodestruirá”

  1. Avatar de reuben
    reuben

    um poema daqueles que deixam a gente sem nada pra falar, mas com muita vontade de dizer. valeu aí.

  2. Avatar de Ivana Arruda Leite

    Que lindo, Bressa! Beijinho

  3. Avatar de Ricardo Miyake

    Beleza de poema, Bressane! Aproveita e passa lá no meu blogue e confira meu mais recente poema… Abração!

Deixe um comentário