
EM AGOSTO
Preliminares
Lab de Literatura & Erotismo
escrita de ficções breves
com Ronaldo Bressane
vagas limitadas
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Sem conflito não há enredo
+
Sem tesão não há tensão
=
Sem libido não há literatura
A expressão “erótica” está gasta?
Lembra livro ruim mofando em sebo, pôster de mulher pelada em borracharia, filme pornô xexelento, poesia emocionada cafona, não?
Vamos resgatar a dupla literatura & erotismo no que ela traz de mais desafiador: a linguagem.
A ideia é investigar as mecânicas do desejo para usá-las como estruturas de ficções breves em qualquer tema, não só o erotismo.
Vamos jogar na roda humor, pesquisa formal, crítica social, criação de personagens e tensão.
Nosso lab não será especificamente para trabalhar a escrita de cenas de sexo ou elaborar histórias de amor.
Mas se quiser também pode 😉
Algumas autoras e alguns autores citados e lidos no curso
Alberto Moravia • Anne Carson • Camila Sosa Villada • Cristina Peri Rossi • Diane di Prima • Eliane Robert Moraes • Emmanuel Carrère • Georges Bataille • Gregório de Mattos • Hilda Hilst • James Baldwin • José Paulo Paes • Mariana Enríquez • Marilene Felinto • Mary Gaitskill • Michel Leiris • Pierre Loouïs • Raven Leilani • Reinaldo Moraes • Roberto Bolaño • Silvina Ocampo
Escrever é osmose?
Hunter Thompson datilografava romances de Scott Fitzgerald só pra absorver como seria escrever aquilo. Faremos algo parecido.
A etimologia grega dá a dica: osmose é um impulso, um empurrão.
Language is a virus, cantava Laurie Anderson. Escrevemos por contaminação.
Investigando a escrita libidinal, como teoria usamos Eros: O Doce-Amargo, de Anne Carson (Bazar do Tempo, trad. Júlia Raiz).
No plano de curso, são lidos autores modernos e contemporâneos para inspirar a criação de textos dos alunos. Mas toda aula é diferente – nunca se sabe o que pode acontecer.
Se toda literatura é literatura comparada, toda oficina de escrita absorve outros livros para criar ficções novas.
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Em Eros – O Doce-Amargo, Anne Carson ensina, lendo Safo, que “a experiência erótica é ao mesmo tempo de prazer e dor. Aqui temos contradição e talvez paradoxo. Perceber esse Eros pode dividir a mente em duas. Por quê? (…) A palavra Eros denota ‘querer’, ‘falta’, ‘desejo pelo que não está lá’. Quem ama quer o que não tem. É, por definição, impossível para o amante ter o que deseja se, assim que ele tem, não quer mais”.
Carson lembra a filósofa Simone Weil:
“Todos os nossos desejos são contraditórios, como o desejo por comida. Eu quero que a pessoa que eu amo me ame. No entanto, se ele é totalmente devotado a mim, ele para de existir e eu deixo de amá-lo. E enquanto ele não for totalmente devotado a mim, ele não me ama suficiente. Fome e saciedade.”
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Como é o método do curso?
Preliminares é uma oficina de escrita de narrativas. Portanto o sucesso do curso depende do comprometimento de quem participa. De todo mundo.
Não existe escrita sem escuta: Preliminares é também busca pela atenção e pelo cuidado com o outro.
No primeiro encontro lemos o plano do curso e alguns textos. De uma determinada ficção é tirada uma proposta de narrativa a ser escrita em casa, por todos os participantes.
No encontro seguinte, na primeira parte da aula todos lêem sua narrativa, e todos comentam os textos dos colegas. No fim, o professor faz sua análise. Na segunda parte, de outra ficção é tirada nova proposta… E assim por diante, em todo encontro.
Como funciona o Preliminares?
Todas as aulas são online, usando a plataforma Meet, gravadas e disponibilizadas aos participantes. Todos os textos lidos e criados são organizados em um exclusivo site WordPress, somente acessado pela turma.
São seis encontros, das 19h30 às 22h30, toda quarta-feira, a partir de 7 de agosto. O investimento é de $699, via pix. Reserve já sua participação.
Bolsas? Se você está dura/duro, faz graduação, pós ou é professor, faça uma proposta!
Quem é Ronaldo Bressane?
Paulistano, 53, é escritor, jornalista e professor. Edita a revista Morel (@morel.revista, editora Ipsis), publicação de literatura, fotografia, jornalismo, quadrinhos e artes visuais. Foi repórter e editor de diversas publicações, além de colaborar com a imprensa nacional desde os anos 1990. Formado em comunicação pela FAAP, mestre em literatura na Unifesp, é doutorando em teoria literária na USP. Escreveu livros em gêneros variados, como o romance Escalpo (Reformatório), o romance gráfico V.I.S.H.N.U. (Quadrinhos na Cia.), o infanto-juvenil Sandiliche (Cosac Naify), o volume de poesia Metafísica Prática (Oito e Meio), a coletânea de contos Céu de Lúcifer (Azougue), além de organizar a antologia de ficções breves Essa História Está Diferente (Companhia das Letras). É professor de escrita criativa desde 2006, tendo incentivado dezenas de alunos na publicação de livros e na conquista de prêmios. Seu site reúne ensaios, reportagens, críticas e ficções: ronaldobressane.com.
[Arte @EvaUviedo]