Botei Botox

Na ALFA # 5, injeto toxina botulínica, faço preenchimento de ácido hialurônico, 3 sessões de luz intensa pulsada e peeling, torro R$ 5 mil – tudo isso pra isso?

Pelo jornalismo até injeção na testa

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— Bem… Eu mexeria na sua… na sua glabela!
— Perdão?
— Sua glabela…
— Que é isso?
— Esse vinco entre as sobrancelhas — e ela me aponta o centro da testa.
— Ah, o cenho! Que tem?
— É muito profunda! Seus músculos corrugadores, esses em cima das sobrancelhas, e o prócero, no meio da testa, eles, humm, são… são muito potentes!
— Puxa, obrigado. Nunca ninguém me falou isso antes.
— Essa ruga te dá um aspecto muito sério. Cansado… Deprimido… Fica parecendo que você está de mau humor!
— Verdade?
— É, dá a impressão de que você está sempre bravo! Isso envelhece a pessoa…
— Então, o que devo fazer?
Ela pigarreia, muda o tom, sussurra:
— Recomendo… o uso da toxina botulínica — sorri a dermatologista, sutil, quase sem mover os músculos da face.

Minha glabela passou do meio da testa ao centro das atenções desde que comecei a investigar os efeitos do envelhecimento. Escutava cada vez mais boatos de homens usando botox, mas não imagina a coisa tão séria: segundo pesquisa de 2009 da International Survey on Aesthetic/Cosmetic Procedures Performed, o Brasil está em 2º lugar no uso do produto, com 447 mil tratamentos, 15,6% do total mundial. A pesquisa afirma que os homens são 6% dos pacientes que tentam rejuvenescer aplicando a toxina originária de uma bactéria. Mas o número pode ser maior. Para Omar Lupi, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia, “os homens estão entre 10 e 15% dos pacientes que usam botox, a maioria por motivos estéticos”. 72 mil botocados, o suficiente para lotar dois Pacaembus. Ou seja, não são só personagens como Ronnie Von, Amaury Jr. e Otávio Mesquita que paralisam a testa: no seu trabalho, no seu clube ou no seu condomínio algum homem certamente já botou botox.

Para investigar o fenômeno, este repórter virou cobaia de três tratamentos diferentes e cinco sessões de beleza que consumiram cerca de R$ 5 000 reais na tentativa de reformar a fachada. Comecei a pesquisa em outubro, assuntando a dermatologista: “Quero parecer mais jovem”, disse. Ela não demonstrou surpresa. Mas eu não esperava que me oferecesse o botox tão rápido. Embora a doutora tivesse a voz tão lisa quanto as rugas de seu rosto cinquentão, eu imaginava que o uso de botox fosse algo misterioso, quase esotérico, só escolhido após muitas consultas. Nada disso: poderia aplicar o botox naquela hora mesmo para “suavizar minha glabela” (o termo “suave” é amado tanto pelos manos do Capão Redondo quanto pelas dermatologistas dos Jardins). Porém, não poderia me entregar tão fácil à sanha dermatológica. Pela mente circulavam ícones do macho-alfa dedurando meu metrossexualismo. E agora, Clint? Que fazer?

Se você quer segurança” – diria o ator de Dirty Harry, meu superego –, “compre uma torradeira”. É isso aí. Tinha de arriscar a pele, colocar a glabela a prêmio e tomar injeção na testa. Tudo pelo jornalismo. Telefonei para uma segunda dermatologista, que me confirmou o que a primeira havia falado – com o necessário toque de empolgação. A doutora Aurea Lopes me contou que o uso cosmético da toxina foi descoberto por acaso, quando o casal de canadenses Alaistair e Jean Carruthers, ele oftalmologista, ela dermatologista, tratava um paciente com blefaroespasmo (piscar incontrolável das pálpebras) e percebeu que as rugas diminuíam progressivamente. O veneno está na bactéria Clostridium botulinum, causadora do botulismo – doença que mata por paralisia muscular. Botox é um dos nomes comerciais da toxina (há também Dysport, Prosigne e Xeomim, todos importados), mas popularizou-se tal como gilete virou sinônimo de lâmina de barbear. “Vamos fazer?”, convida a doutora.

A clínica é toda branca. Móveis em madeira clara. Silêncio fofo. Tem algo de irreal, me lembra o filme Vanilla Sky. Localizada no décimo-quarto andar de um edifício do Itaim, a clínica ocupa um duplex com vista para a Berrini, a Daslu e a Ponte Estaiada – a fresca epiderme de São Paulo. As luminárias são Philippe Stark, as moças vestem branco, todas falam macio. Uma morena me leva a uma salinha para fotografar o meu “antes” e subo ao andar de cima. Me põe uma ridícula touquinha e pede: “Franze a testa”. Clique. Ela me deixa um tempo em outra sala de espera, onde há TV, internet, café, água, biscoitos. Uma loura me leva a uma terceira sala para aplicar o creme anestésico. Durante a meia hora em que espero a anestesia pegar, embalado pelo ronronar do ar condicionado, caio numa soneca. Sonho que estou num céu de nuvens de algodão cercado por clones da Katy Perry. Quando sinto que Katy se aproxima para me beijar, seu rosto ganha as milhares de rugas de Samuel Beckett. Eca! Acordo no susto. Uma terceira moça, a assistente da doutora, pergunta se me sinto bem. Por um momento volto à infância, cercado de primas e tias cuidando de mim. A assistente diz que os homens respondem por 30% dos clientes, ops, pacientes da clínica. “Muitos vêm para uma limpezinha de pele e voltam ao escritório em seguida. É um jeito de dar uma escapada do trabalho“, conta. Como não achar agradável, Clint?

Surge a doutora Aurea, uma bonita loura de 40 e poucos, vestida num trenchcoat também branco, brincos, pulseiras e colares de ouro. Enquanto sou preparado à aplicação, pergunto se o botox me permitirá fazer as caretas que fazem sucesso com meu filho de 8 anos. “Sim, mas ficará… suave“, diz a médica. Em geral, os homens fazem botox para quê? “Alguns querem suprimir pés de galinha, outros pretendem tirar as marcas de expressão na testa, alguns querem tratar a hiperidrose [transpiração excessiva de mãos, pés e axilas], mas a maioria quer diminuir as rítides [rugas] glabelares“, explica. Com o tempo, os músculos acima das sobrancelhas são relaxados pelo botox. As sucessivas aplicações atrofiam esses músculos. “Quando você chegar aos 50, sua glabela não estará tão fechada: até lá o botox já enfraqueceu o prócero e os corrugadores“, promete a doutora.

Há um importante aspecto médico no botox: homens que o aplicam para prevenir a cefaléia tensional. “É a dor de cabeça causada pela contração dos músculos da testa“, diz a doutora Andreia Mateus, coordenadora do departamento de cosmiatria da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Até neurologistas recomendam. Meu marido, por ficar muito tempo em frente ao computador, tensiona demais as rugas. Daí pôs botox para se livrar da dor de cabeça.” O dermatologista Lupi, um carioca de 43 anos, diz ter aplicado o botox nele mesmo por este motivo. “Eu tinha enxaqueca de 3 a 4 vezes por semana. Sumiu. O botox é aplicado em contexto puramente clínico desde os anos 1990. Só a partir de 2000 é que os homens começaram a usá-lo por questões estéticas”, diz o doutor.

A doutora Aurea mira o centro da minha testa e pressiona o êmbolo da seringa. Uma picada no alvo na minha glándula pineal, no terceiro olho. Sem dor, sem epifania. Outras picadinhas, uma acima de cada sobrancelha. Pronto. Como a musculatura masculina na região é cinco vezes mais forte que a feminina, uso quase todo o conteúdo da ampola – por isso a aplicação do botox em homens é mais cara que em mulheres (R$ 1,2 mil para nós, R$ 1 000 para elas – desconfie se for mais barato que isso). Já sentindo a testa formigar, pergunto à doutora se soube de algum arrependimento.

Um paciente argentino de uns 45 anos tinha muitos pés-de-galinha, coisa terrível mesmo“, conta. “Fiz várias aplicações. Vinte dias depois, ele voltou ao consultório transtornado! Reclamava que não se reconhecia mais ao espelho. Dizia: ‘Quero minhas rugas de volta!’”, ri a médica. “Então fizemos sessões de drenagem linfática e ele ficou como antes. Nunca mais o vi… Muito bem! Pode ir agora!“, termina. Posso ir trabalhar? “Claro. Ninguém vai notar nada. O efeito dura de 4 a 6 meses. Agora, seu único cuidado é passar este creme e não se deitar.” Deitado, há o risco de o botox descer para as pálpebras – contudo, a doutora nunca viu isso acontecer. Despeço-me das colegas de trabalho e desço os 14 andares sentindo um certo calor na cara. Antes de voltar à redação, rendo um tributo à baixa gastronomia e entro num boteco para comer um cheesebacon cercado por caminhoneiros que vêem uma luta de vale-tudo na TV. Lar doce lar.

Você está ficando velho quando só pensa nisso, lembra Millôr Fernandes. Em parte é verdade – tenho 40 anos –, mas o envelhecimento é tema inesgotável (até que a morte nos separe). Nunca na história desse mundo houve homens de meia-idade e de terceira idade tão em forma como na primeira década do século 21. Daí que cuidar da pele entre os 30 e os 40 equivale a um vestibular para a decadência. O congelamento dos músculos da face é a vontade de domar o tempo e sua irmã, a gravidade. Mas a maioria dos meus amigos vê o botox apenas como uma vaidade nojenta. “Nem quero pensar nesse assunto”, esquivou-se o dramaturgo Mário Bortolotto, 48 anos, conhecido pelo jeitão truculento que o fez aparar 4 balas disparadas à queima-roupa, por se recusar ser assaltado. “Não padeço dessa vaidade. Pode até ser que algum amigo tenha aplicado e eu não tenha reparado, sabe? Meus conhecidos andam de rosto inchado pelas porradas da vida. Fuja das rusgas, não das rugas”, filosofa Marçal Aquino, 52, roteirista de Força Tarefa e autor de livros escritos à base de testosterona. “Eu não faria nenhuma mutilação no meu corpo. Nem tatuagem, nem lipoaspiração, nem botox. Não uso nem cueca, pô!”, irrita-se o ator Paulo César Peréio, 70, protagonista de clássicos como Eu te Amo e apresentador do programa Sem Frescura. “Os homens que aplicam botox têm entre 35 e 40”, diz Andréia Mateus. “Os cinquentões são preconceituosos, insistem que botox é coisa de bichona. Entre os mais novos, um em três homens que procuram o consultório vem por motivos estéticos. Convenço 40% dos meus pacientes a aplicar”, afirma a doutora.

Serão meus compadres habitantes de um mundo antigo? “Para o homem moderno, cuidar da pele não tem nada a ver com ficar feminino”, afirma o antropólogo Stéphane Malysse, autor de Diário Acadêmico, em que leva as academias de ginástica à Academia (ou seja, a USP). “A resistência aos tratamentos de beleza diminuiu entre os homens. Não há comparação de gays com os macho-alfa, são universos paralelos. Esse papo acabou. O homem hoje cuida da pele por pressão, por competição com outros homens, e para não parecer pobre”, analisa o professor.

Era no que eu meditava na sala de espera da clínica dermatológica. Havia voltado duas semanas depois para conferir o botox – apesar de estranhar a testa estática, sentia apenas uma pressão leve, como se alguém tivesse me colocado a mão nas sobrancelhas. Ao meu lado, um sujeito de uns 35 anos, camisa azul para dentro da calça social, sapatos de cromo alemão, gravata Hermès, grossa aliança de ouro no anular direito. À frente, na TV, o Real Madrid vai a campo para desafiar o Barcelona. Tão logo entro na sala, o sujeito me olha atravessado. Acho que não queria ser visto usando a touquinha. Puxo assunto falando da chuva que se aproximava: ganho monossílabos de volta. Mas quando Xavi manda para as redes, gritamos juntos “Gol!”. Facilitou o papo. No segundo tempo, 2 a 0 para o time azul-grená, ele me conta que havia ganho de presente da noiva um tratamento de luz pulsada e uma depilação no colarinho. Corretor no mercado financeiro, a profissão. E eu, o que é que estava fazendo ali?

Botox e… bom, talvez, ácido hialurônico”, digo. “Ah, meu chefe fez isso aí!”, comenta. “E não só ele… meu sogro também”, revela. Sério? “Ele é banqueiro, faz viagens internacionais direto. Uma vez ele me disse que fica preocupado com os caras que estão subindo no banco… Normal, o cara tem medo de ser trocado pelos gerentes novos. É a vida. O Messi não entrou no lugar do Gaúcho? Ih, ah lá: gol!”, gritou, ao ver Messi passar com açúcar para Villa anotar o terceiro. “Chupa, Cristiano Ronaldo!”, manda meu colega de clínica, pouco antes de ser conduzido à depilação.

Ácido hialurônico foi o segundo tratamento prescrito pela doutora. É uma substância natural que preenche os espaços entre as células: com o avanço da idade, o ácido baixa, diminuindo também a hidratação e elasticidade da pele, o que contribui para o surgimento de rugas. “Está presente no colágeno, faz o volume da pele, o contorno dos olhos”, diz Aurea, que sugere aplicações nos meus sulcos nasolabiais – o “bigode chinês”. Usado também para tratar cicatrizes de acne, o ácido, R$ 1000 por ampola, é o segundo tipo de aplicação não-cirúrgica mais procurado no mundo – 1,8 milhões de aplicações em 2009, 312 mil só no Brasil, país líder em injeções. “Os homens ainda não usam muito, só uns 5% dos pacientes”, informa o doutor Lupi. Uma pomada anestésica é passada no local, a doutora faz cinco ou seis aplicações e pronto, em meia hora tudo termina. Fica um certo inchaço, que some no dia seguinte; a duração é de um oito meses a um ano. Por serem tratamentos não-invasivos, ao contrário de procedimentos como o lifting, cirurgia que “estica” a pele, tanto botox quanto preenchimento com ácido caíram nas graças de médicos e pacientes. Marcamos outra consulta para dali um mês.

O que ele fez

1. Uma aplicação de botox sobre cada sobrancelha + Uma no centro da glabela (R$ 1 200)

2. Três sessões de luz pulsada (laser), para limpar manchas na pele (R$ 880 cada)

3. Preenchimento de ácido hialurônico sobre os sulcos nasolabiais, o “bigode chinês” (R$ 1 000)

Saldo

Três meses de tratamento de pele sem ninguém perceber a mínima diferença no rosto = R$ 5 000

Nesse tempo, enquanto seguia pesquisando o assunto, esperava os aguardados elogios femininos. E aí, Clint, alguém flagraria as transformações na minha cara? Nada, meu caro. As amigas – que sempre me elogiaram as rugas precoces – não notaram diferença. Minha mulher chateou-se ao constatar que eu não conseguia mais fazer aquela cara de malvadão; mas, no rosto em repouso, não captou nada estranho – “jamais imaginaria que meu marido colocasse botox!”, espantou-se. Nem mesmo minha mãe pescou uma mudança nas fuças do primogênito. Talvez fosse essa a promessa: prevenir futuras rugas. O botox e o preenchimento como minha poupança visual – ao chegar aos 50, parecerei ter 40. Não a ideia de mudar para ficar diferente, mas mudar para permanecer o mesmo.

O botox é como uma ferramenta do Photoshop: é um retoque suave e localizado”, comenta Malysse. “Por isso há esse discurso médico de que você nunca mudará demais, ao mesmo tempo em que o incentiva a mudar: isso suaviza o fato de que, por causa do envelhecimento, você mudará sempre.” Malysse afirma que os procedimentos não-invasivos refletem o fenômeno que o filósofo Gilles Lipovetsky chama de hiper-narcisismo. “O desinteresse pelo futuro intensifica a angústia da morte, enquanto a degradação das condições de existência dos velhos e a permanente necessidade de ser valorizado, admirado pela beleza, pelo charme e pela celebridade, tornam intolerável a perspectiva do envelhecimento”, escreve Lipovetsky em A Era do Vazio. É o ego-building: com um tratamento de beleza, uma cirurgia direta no ego.

Se o filósofo Lipovetsky usa hiper-narcisismo e ego-building, o sociólogo Zygmunt Bauman prefere o termo líquido para interpretar a capacidade moderna de “reformar” o corpo: “Todas as formas devem ser maleáveis, todas as condições temporárias: reformar é um dever e uma necessidade”, escreve o polonês em Vida Líquida. A luta pela boa forma é uma compulsão que logo se transforma em vício. Como tal, nunca termina. Talvez por isso é que, insatisfeito com a mínima mudança vista no espelho e com a fraca recepção da audiência aos meus feitos faciais, procurei outra vez a dermatologista… Que então me sugeriu novo tratamento: luz intensa pulsada. Três sessões, cada uma a 880 reais.

Reconheço: voltar à clínica me trazia uma sensação de prazer. Iria passar mais uma tarde paparicado pelas primas e tias de branco. O ritual se repetia – o sorriso das recepcionistas, a gentileza das assistentes, a delicadeza da doutora. Uma enfermeira passou um analgésico tópico. Outra colou adesivos protetores nos meus olhos. A doutora untou-me a face com gel. A luz pulsada é um laser que destrói melanomas, acúmulos de melanina sob a epiderme que podem vir a se transformar em manchas – os melanomas só são visíveis com luz ultravioleta. Aplicado com uma ponta fria, a luz age nas áreas com excesso de pigmentação: quanto mais melanina, mais luz é absorvida. O calor se acumula nos locais e a melanina é dissolvida, homogeneizando a pele, eliminando vasinhos, fechando poros. É também indicado para olheiras, flacidez e estrias. A doutora salpicava minha pele com laser – 200 picadas, a maioria sem dor, só um leve incômodo suavizado pelo ventilador que uma assistente direcionava ao meu rosto. “Não há contraindicações nem riscos”, dizia Aurea. Terminada a sessão de pontilhismo a laser, ganhei um peeling – usado para clarear a pele, deixá-la mais lisa. Dias depois, a pele do meu rosto caía, como se eu tivesse ido à praia. Havia sido presenteado com cremes hidratantes e de proteção solar – os quais evidentemente esqueci de usar, por falta de hábito.

A velhice é uma batalha: quando não é uma coisa, é outra”, escreve Philip Roth em Homem Comum, referindo-se às sucessivas doenças da terceira idade. Lembrei da frase quando cheguei à última sessão de luz pulsada já ansiando pelos próximos cuidados. E se, depois do botox, do preenchimento, da luz pulsada, eu experimentasse conhecer as maravilhas do thermacool – uma máquina de radiofrequência que estimula a formação de novas camadas de colágeno? E se começar a enxergar rugas novas onde antes só havia umas marcas esquisitas? E se notar minha glamourosa glabela de volta daqui a quatro meses e sentir vontade de aumentar “só mais um pouquinho” a dose de botox para apagá-la? E se um dia aparentar ser mais jovem que meu filho, como o Paul McCartney? E se der pra reinvestir meu suado salário em mim mesmo, como fazem os viciados em mega-hair? E se ficar como aquele pastor norte-americano de 66 anos, preso por roubar 85 mil dólares dos fiéis para pagar seus tratamentos de beleza? Se me botocar a cada seis meses e em dez anos ganhar uma testa lisinha e inexpressiva, ainda serei eu mesmo? Não sei. Uma coisa é certa, Clint: continuerei usando cueca.

(Colaboraram Ana Luiza Leal e Juliene Moretti)
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“Ser velho é ser invisível”

Estudioso das mudanças que os homens impõem ao corpo, o antropólogo Stéphane Malysse diz que o botox e outras técnicas não-invasivas pretendem congelar o rosto em busca de uma estética ciborgue

Malysse: "Botox = ereção"

Quando Stéphane Malysse resolveu que o objeto de sua tese era o corpo como imagem, bidimensional, não teve dúvida: se matriculou numa academia. Lá ficou seis meses levantando barras sem peso – ele se recusa a fazer malhação. “Fiquei muito irritado quando a instrutora me disse que eu tinha ‘uma boa base’”, conta Malysse, em seu português de chef de cuisine. “Como assim, ‘uma boa base’? Este é o meu corpo!”, lembra ele. O antropólogo também estava irritado quando cheguei a sua casa, um espaçoso apartamento decorado com muitas obras de arte, algumas bem provocadoras – como um torso masculino nu que modela um galão de água no bebedouro. (Infelizmente, Malysse se postou bem ao lado do bebedouro, fazendo o repórter encarar o tempo todo um falo transformado em torneira.) O professor havia acabado de ser pai de filhos gêmeos, mas, por conta da burocracia da USP, onde leciona antropologia, não pôde viajar à Argentina, onde eles nasceram – filhos de inseminação artificial.

Pois é, Malysse parece ser um homem tão moderno quanto os comportamentos que analisa. Recebeu ALFA em seu apartamento em Santa Cecília para falar durante duas horas sobre os novos tratamentos estéticos que os macho-alfa estão aderindo, sobre o drama de envelhecer na era da alta reprodutibilidade de imagem, os dermatologistas como psicanalistas, hiper-narcisismo, ego-building e outros conceitos trabalhados tanto nas academias de ginásticas quanto nas academias de altos estudos científicos. Uma das afirmações mais chocantes do antropólogo é de que, no atual mundo viciado em imagem, “ninguém quer ser velho” – e que, portanto, os velhos são cada vez mais invisíveis. Ao fim do papo, saímos ambos para pegar um táxi no largo Santa Cecília, àquela hora da tarde cheio de vovôs que jogavam dominó. Depois da radiografia apocalíptica de Malysse, não pude deixar de sentir uma certa inveja pela tranquila invisibilidade dos tiozinhos.

Qual a idéia por trás da reforma da pele, presente em técnicas não-invasivas como botox, preenchimento e luz pulsada?
Os homens hoje perseguem o ideal do fixo. Da escultura. Como se o corpo fosse uma escultura e o rosto tivesse sido congelado. Muitas pessoas que fazem cirurgias plásticas com botox ficam ótimas sem expressão. Agora, comendo, falando, rindo, ficam horríveis, porque o rosto não tem fluidez. Esses homens são como a Medusa: olham para o espelho e ficam fixos. A relação deles com o rosto está congelada, como num snapshot. Eles querem uma pele que se pareça com a pele das revistas: fixa, homogênea, lisa. Só que as pessoas se esquecem que o rosto também é um órgão de comunicação, e aí acabam sem expressão.

Você acha que os dermatologistas têm culpa nessa história?
Anteontem meus filhos nasceram, e eu tive um problema e não pude vê-los. Fiquei muito nervoso e me aconteceu de aparecer uma espécie de herpes no peito. Quando fui à dermatologista para ver isso, ela me disse: ‘Que tal aproveitar para tratar essas lesões que você tem no rosto?’. E eu: ‘Mas que lesões?’. E ela: ‘Essas pintas!’. Aí fiquei bravo, disse ‘Olha, vou embora, não gostei disso, não tenho lesões na cara, minha pele tá ótima!’. O dermatologista é um especialista entre a ligação entre o eu-pele – a imagem que você tem de si mesmo através da pele – e uma forma de medicalizar isso de maneira objetiva, científica. Se ele tocar com um trauma seu e uma possibilidade de ajeitar isso através de uma “reforma” na pele, então fechou: você topa o tratamento.

Tratar da pele é uma questão psicológica?
Tenho um amigo dermatologista, o Davi, que diz se sentir um psicanalista. 90% são discursos dos pacientes que já vêm com esse ideal de liso. Muitas vezes é uma coisa psicológica que se mostra na pele.

Mas muitos homens não querem tratar a pele porque dizem que é gay…
A resistência aos tratamentos de beleza diminuiu entre os homens. Agora, não vejo competição entre os gays, os metrossexuais e os macho-alfa. São universos paralelos, castas diferentes. Para o homem, cuidar da pele não tem nada a ver com o fato de ficar mais feminino. Esse papo acabou. O homem é muito prático. O homem cuida da pele por pressão, por competição, e especialmente para não parecer pobre.

O quanto o medo de ficar velho tem a ver com a procura por novos tratamentos de beleza?
O Michel Houellebecq [escritor francês, autor de Partículas Fundamentais ] diz que a “A diferença de idade é o último tabu. O último limite, o que substituiu todos os outros. No mundo moderno você pode ser surubeiro, suingueiro, zoófilo, sadomasoquista, bissexual, transexual. O que você não pode é ser velho!”. Nossa sociedade busca o ideal da aparência fixa. Ano passado eu fiz uma palestra na França em um congresso da L’Óreal sobre auto-estima e envelhecimento, e soltei minha tese sobre a Síndrome da Laura Palmer: uma mulher bonita tem que morrer aos 25 para ficar bonita para sempre. Quase fui agredido no final pelo público!

É difícil resistir à pressão para não ser velho…
Ou você tem a mente resistente a esses padrões externos, ou tem um ponto fraco aí e aceita todos os tratamentos. Que obviamente não vão funcionar. Essa coisa de ser sempre mais jovem, sempre mais liso cria a estética ciborgue. As pessoas que não têm mais aparência humana porque quiseram brecar o tempo, parar as metamorfoses e ficar numa idade fixa. Ao mesmo tempo o mundo contemporâneo te estimula a ter uma personalidade multifacetada. O que você tem no fim é essa esquizofrenia em que vivemos.

O Brasil é campeão mundial em tratamentos estéticos. Por quê?
É natural entre países jovens. Como cuidar do corpo é uma forma de consumo, você troca as coisas do seu carro e vai arrumar seu corpo, se tiver grana vai fazer. Por aqui essa ética de querer ser o que é para sempre é mais frouxa. Na França ou na Alemanha há uma divisão muito nítida entre tratamento de saúde e tratamento de beleza. Aqui não, nas próprias farmácias existe essa confusão. Não é por acaso que os países com grande número de novos ricos, como a China e os EUA são assim, tenho certeza de que a Rússia chega bem perto.

Então hoje ter vaidade não é mais pecado…
O grande pecado moderno é não ter vaidade! Ela é ultranecessária nas interações sociais. Pelo descaso, pelo descuido, você demonstra que é indisciplinado, descuidado, não tem controle da sua vida. É o ingrediente número 1 das relações sociais, é um pecado estimulado. Nesse sentido, as vaidades feminina e masculina estão parelhas. Afinal, as pressões religiosas e morais estão muito diluídas. O que rola, como diz o Houellebecq, é um grande mercado sexual. Não tem mais essa coisa de o homem poder ser um lixo e a mulher ser obrigada a ser uma rainha. O homem tem de se virar para se dar bem no mercado.

Existe também o culto à celebridade. As pessoas querem se parecer com seus ídolos.
É a imitação prestigiosa, um termo criado pelo Marcelo Mauss. Toda cultura imita aqueles que têm prestígio, sucesso e dinheiro. Não é um fenômeno só brasileiro. E quem tem prestígio, dinheiro e sucesso no Brasil hoje? São as pessoas que usam o seu corpo. Ronaldinho Gaúcho e Gisele Bündchen são os únicos brasileiros na lista de 100 pessoas mais influentes no mundo. Os dois têm o corpo como principal capital. De formas diferentes, uma como aparência, outro como potencialidade física. Queremos imitar para conquistar o que essas pessoas, que têm o corpo como principal capital, têm e nós não temos. Você não vai querer imitar um feio. Quando se coloca na frente do espelho e não se encaixa, parte para a bricolage corporal.

Pele firme também é um sinal de virilidade?
Claro! Se refletirmos sobre a questão da rigidez e do volume, da pele firme, acabamos no ideal da ereção. A pele firme significa que você está com o rosto em ereção. O botox é uma ereção! Sua rigidez, suas emoções mais duras ou difíceis de aparecer, estão congeladas. Isso demonstra a sua força. É como você tivesse, sob a pele, um escudo contra o tempo. Assim como o homem bombado atrai para seus braços e tórax a idéia de ereção, o botox sob a pele força sua identidade viril. E você quer parecer estar em ereção para quê? Para dizer aos outros: “Você está a fim?”. Você já viu aquele episódio do Nip/Tuck do cara tatuadão que fez uma injeção de botox na namorada, e ela ficou parecendo um robô? Quando ele quer atacar o sujeito que fez isso, como agressão física, ele o ataca no rosto e no pau. Aliás, já ouvi falar de alguns casos de pessoas que implantam botox no pau para ele parecer mais grosso!

Os dermatologistas usam muito a expressão “suave” para falar dos tratamentos não-invasisos.
É a photoshopização da aparência. As imagens prestigiosas estão aqui na revista. Para se comparar a elas, você precisa se photoshopar. Suavizar é um termo muito interessante, tem tudo a ver com photoshop. Você pensa no resultado, mas não na ação. É a retórica do não-invasivo. Existe o discurso de que você não mudou muito, que ao mesmo tempo incentiva você a mudar – para suavizar o fato incontornável de que você vai mudar sempre, por conta do envelhecimento.

Mas o botox pode se tornar um vício: você precisa usar sempre, para manter aquela aparência desejada.
Acho que não é à toa que botox rima com a termo “tóxico”. O botox tem hoje a mesma conotação que a cocaína tinha nos anos 90: é chique. Por outro lado, ser viciado em botox é parecido com as pessoas que fazem megahair. Elas não podem mais voltar a ter o cabelo natural delas. Tenho certeza que o botox tem esse componente de risco: as pessoas não vão poder voltar mais a ser como eram, vão querer voltar sempre, porque deste momento em diante vão se ver sempre com defeitos. Torna-se uma obsessão. Quando fiz esse trabalho para a L’Óreal, queria saber qual a relação das mulheres com os riscos, e descobri que as mulheres não estão nem aí com os riscos a longo prazo! É uma cultura que afirma: se vale a pena para a aparência, vale o risco.

Quer dizer, você se acostumou à nova aparência, vai fazer de tudo para mantê-la.
Você acha que está melhor do que antes. Você se adapta a uma coisa nova. É a suavização do seu ego-pele. Quem disse que você estava olhando para essa sua glabela? Tem a ver com foco. Quem não tem uma boa pele está fora de foco. O fato de você não ter entendido o termo glabela é isso. Você vai olhar mais pra essa ruga do que olharia naturalmente. Se você tem um trauma ou insegurança forte, se apóia nisso. Talvez seu charme fosse a glabela, você teria um olhar mais do mal, e agora ficou bonzinho, e começa a gostar disso. Tem a ver com sua relação com o espelho, ver-se mais como uma pose, parado. Afinal, em movimento você não está se vendo. Cada vez que faz algo técnico com o corpo é sempre um frozen, um check-up.

Então os supervelhos vão ficar o tempo todo nas clínicas estéticas?
Isso é uma coisa nova. A expectativa de vida alta começa no meio do século 20. Antigamente era normal morrer aos 40 anos. Hoje, em vez de valorizar o envelhecimento – a acumulação de bens, de saber, de sucesso – , como nas sociedades tradicionais, ser velho não vale nada. No mercado sexual é zero. O velho é o último da fila. E os velhos querem os jovens! Claro que não para reprodução. Hoje a sexualidade não é mais reprodutiva. Daqui a pouco, só os pobres vão se reproduzir fora do laboratório. Com a morte de Deus, o sexo é recreativo. Não faz mais sentido transar para se reproduzir.

Isso tem a ver com controle e congelamento do acaso, também, não?
É o eugenismo. Você é um ser mais selecionável. Quem faz essas mudanças no corpo pode mais que os outros. As consequências são a homogeneização da sociedade. Entre homem e mulher, entre raças. Interessante que ao mesmo tempo há um esforço para se diferenciar, para ser exclusivo. É a personalidade prêt-à-porter, a la carte. Hoje há essa idéia de que não existe mais gente comum. As pessoas são sempre rotuladas. Na USP, todos os doutores se vestem mal e igual. Este é seu rótulo de compensação. “Tenho uma carreira acadêmica, então não vou me vestir bem.

Como vê o ideal estético migrar para a pele?
Lipovetsky diz isso, quando articula os termos hiper-narcisismo e ego-building. O ideal masculino antigamente era a força, a virilidade, e agora foi para a superfície: a pele e as roupas. O hiper-narcicista acredita na idéia de que ser egoísta, narcisista, é bom. Ele nunca se culpa por ser vaidoso. Assim, faz o ego-building, que é a maneira como o hiper-narcisista altera a sua pele para operar diretamente em seu ego. Uma cirurgia psicológica, feita através da pele.

Diz-se que os gays eram ponta-de-lança dos hábitos heterossexuais…
Não concordo. A diferença entre gay e macho alfa é no grau. Se o gay quer ser forte, vai ser hiperforte. Existe uma tendência ao exagero. Não acho que o travesti influencie a mulher, por exemplo – para compensar o fato de ele não ser mulher, ele vai ser mais feminino ainda. O mesmo ocorre com as barbies cariocas. Eles são supermachos. Lembro que no começo da malhação no Rio havia brigas entre o pitboy e a barbie. porque estavam com o corpo muito parecido. Mas isso foi só uma fase, muito localizada. Não se pode generalizar.

E metrossexual, existe?
Na prática, é um mito. Foi criado pela mídia como uma forma de amenizar a interpenetração do masculino e do feminino. É um termo retórico de suavização. Hoje, um homem que assume sua feminilidade – como qualquer homem – é visto como metrossexual. Isso é coisa de jornalista, não de antropólogo. Nossa função é de explodir os rótulos, analisar indivíduos caso a caso. E existe uma grande esquizofrenia. As pessoas são camaleões sociais, mudam de acordo com o ambiente.

O fato de haver uma superprodução de imagens hoje – câmeras digitais, flickr, facebook – faz com que você perceba melhor as alterações no seu corpo.
Hoje você tem um catálogo das suas aparências e pode querer voltar no tempo. Antigamente você não se registrava tanto. Você pode até saber como vai ficar quando envelhecer, há programas que criam isso, para antecipar como ficaria – e talvez mudar já a sua aparência futura.

Mas e os riscos em mudar sua aparência?
Qualquer intervenção que você faz no seu corpo detona. Fumar, beber. Viver é se detonar. A vida é prejudicial à saúde. Quanto mais você consertar e mudar seu carro, mais vai querer mexer nele, até comprar outro. Você alterou a sua glabela, o seu corpo foi invadido, você está sujo. Não é mais um ser natural. Isso abre um espaço para quando um momento em que estiver mais frágil, suscetível, você pode querer acabar mexendo no seu corpo.

Ou seja, ser velho é um luta inglória.
Como aconteceu comigo, em Paris, num bar em que chegaram para mim e disseram “aqui não é bar de velho não”. Então tá bom, vou para outro bar. O grande drama é que os velhos hoje não têm mais visibilidade. Não têm mais cenas de exibição voluntária, só entre eles e sua família. Eles não são mais vistos. Na França, a gente os coloca numas casas e acabou. Nas revistas não há velhos. Se você vê um idoso, ele está sempre sorrindo. Com dentes falsos, obviamente. Ninguém quer parecer um velho mal humorado. É muito raro você ter amigos mais velhos: em geral você fica na sua faixa de idade. Isso vai ser cada vez mais comum. Idade, look, gosto musical, sexual, tudo isso vai ficar num nicho.

Outro tratamento que eu fiz prometia uma pele homogênea.
Esse também é um valor recente. É de 1980 a campanha de Calvin Klein que mostrava um homem tomando sol foi a primeira vez em que se assumiu a idéia de que o bronzeamento pode ser puramente estético. Nunca tinha sido abordado antes pela propaganda. Mesmo o bronzeamento como valor é muito recente no Brasil. O bronzeamento te suaviza. Você fica uniforme, ganha uma máscara homogênea.

O Keith Richards já dizia: aparente ficar bronzeado se não quiser parecer um junkie…
São essas duas idéias: o liso e o homogêneo. Um dermatologista radical vai querer tirar qualquer coisinha da sua pele.

Você acha que as pessoas ficam se vigiando o tempo todo?
Quanto mais você vê imagem, mais escaneia os outros, mais vai querer ver se os outros têm algo de errado. É uma vigilância cerrada. Você procura um especialista para cientifizar a versão do outro. Ela quer te convencer que todo mundo que te conhece acha que você está acabado, cansado, do mal, tenso, sério, denso, fechado. Não quero dizer que o dermatologista seja do mal, este é o trabalho dele: preencher a ruga e o vazio existencial. A dermatologista disse que sua glabela mostra que você está tenso, sério, denso, fechado…. Se você estivesse de mal com a vida, acreditaria, e mataria sua glabela. O dermatologista quer se tornar seu superego.

Procurar apoios em dermatologista não é o mesmo que se cercar de airbags sentimentais?
É a idéia da sociedade confortável. Afinal, hoje você tem de decidir tudo – não existem mais roteiros religiosos, culturais, nacionais: você precisa de personal trainer, personal stylist, vão tomar conta de seu corpo, de sua psique, de suas roupas, de sua carreira. As pessoas querem coisas concretas, resultados práticos. Você acaba achando que esse produto funciona e pronto. Mas o que funciona é sua imaginação. A tendência generalizada é comprar essa tese.

Então ser domesticado através de personais, dermatólogos, psicólogos etc vai ser totalmente corriqueiro.
Além da imitação prestigiosa, existe outro termo antropológico que é a imitação do normal. Você imita a norma: se todo mundo não tem mais glabela, você vai querer isso. Imitação prestigiosa é imitar o que está acima; imitação do normal é você seguir o padrão. É mais normal mexer na aparência do que deixá-la natural. Tenho amigos brasileiros que ficam chocados com professores da Sorbonne que perdem os dentes e continuam banguelas. É porque ser banguela, no Brasil, é ser pobre. Como na França você tem um serviço público grátis, você pode escolher ficar banguela, lá é normal. Em termos globais, estamos marchando para a shoppinização e padronização do mundo.

Autor: rbressane

Writer, journalist, editor

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