Bunda que pensa


>>> Rita Cadillac foi entrevistada pela elegante Carol Sganzerla e este que vos tecla para as Páginas Vermelhas da Tpm do mês (a primeira dupla Sganzerla-Bressane desde o cinema udigrudi). Segue meu abre integral do entrevistão com a musanfã…

Rita Cadillac em foto para revista Sexy – aos 50

Dançarina, atriz, cantora, chacrete, madrinha de escolas de samba e penitenciárias, estrela de chanchadas e pornôs, Rita Cadillac, 55, dona da traseira mais famosa do país, é estrela do documentário Lady do Povo: “Quando morrer, quero ser enterrada de bruços, pro povo me reconhecer

Rita Cadillac não sabe dirigir. Na única vez ao volante de um carango, capotou-o numa curva do Alto da Boa Vista, Rio de Janeiro, quebrou o braço e quatro costelas e perdeu a confiança para guiar. Rita não sabe nem dirigir a própria vida: “Tudo sempre aconteceu por acaso. Não acredito em sorte; em destino, sim“, afirmou à Tpm, dentro de um vestido azulzinho mais apertado que a justiça divina, ao mesmo tempo em que na TV rolava um Vale a Pena Ver de Novo. A culpa toda é da Verinha. Vai vendo que novelão.

Rita no auge, fim dos anos 70

1970: com quinze anos, a carioca Rita de Cássia Coutinho tirava um sarrinho no quarto do namorado, o Mário, um salva-vidas gente-boa. O coitado há meses não via o momento de mergulhar naquele corpaço que estacionava todos os olhares de Ipanema. Era a hora. Quando se iniciavam os finalmentes, a porta do quarto abriu… era Verinha, irmã de Mário. Aí Rita travou: Mário teve tentar a partida de novo. Muitos infrutíferos amassos depois, o garotão se encheu das frescuras da donzela e foi nadar noutras freguesias. (Até hoje se arrepende disso, como demonstra no doc.) Que Mário o quê: pra pirracear o ex-namorado, Rita logo descolou novo protagonista para seus sarrinhos, um tal César. Pedida em casamento, topou. Porém, mesmo depois da lua-de-mel, nada de consumar o enlace (chegou a dar uns catos no Marião um dia antes de subir ao altar). Com dez dias de secura, César, que nunca foi jeitoso como Mário, embebedou Rita e mandou ver. Sacanagem. No que acordou, a musa de Ipanema viu perdido o lacre de fábrica. E César foi certeiro – logo na primeira, a moça engravidou.

Com a bunda e a coragem, Rita encarou os tarados de Serra Pelada

Aos três meses de gestação, Rita já se arrependia de ter se unido a sujeito tão violento; logo que nasceu Carlos, o único filho, flagrou o marido derrapando numa amiga. Pediu a separação. Quis voltar aos braços de Mário; mas já não era a musa adolescente, e não rolou. Na mesma época veio o acidente no Alto da Boa Vista. Mal saiu do hospital, sua avó, que a criava desde que a mãe tinha sumido de casa (o pai havia morrido quando Rita tinha 13 dias), faleceu. Nossa heroína estava mal fodida e pior paga. O negócio era dançar pra não dançar; Rita tinha estudado balé no Municipal, era o instante de aplicar o talento.

O nome da cantora francesa inspirou nossa dançarina

Começou pelo trottoir – passou um tempo fazendo programas uma fase bastante difícil. (No doc, Rita conta que o asco e a tristeza que sentia transando com o marido passou para os clientes – mais tarde, nos pornôs, teria a mesma sensação de ser abusada.) Em seguida, ajudada pela transformista Rogéria, que a ensinou a se maquiar, se vestir e se comportar como sex symbol, foi descoberta por produtores de shows de variedades e passou algum tempo dançando no exterior. De volta ao Brasil foi fazer um teste na Globo. Só que, para a TV, Rita de Cássia não pegava. Impressionado com a alta cilindragem de sua buzanfã, e inspirado numa cantora e stripper francesa da década de 50, um amigo da noite emplacou o apelido: Cadillac. Depois de tantos azares e solavancos, Rita de Cássia morria – e assim era batizada a máquina que aceleraria por décadas as fantasias de milhões.

A superchacrete gira o dedinho sugerindo aquilo que você sabe

A acidentada trajetória é contada em A Lady do Povo, documentário de Toni Venturi nos cinemas em fevereiro, mesmo mês em que a musa desfila como destaque da X-9 de Santos. Mesmo ultrapassados os 55 anos, ela tem consciência que a plebe quer mais é vê-la pelas costas. “Sou uma bunda que pensa“, define-se Rita, que como raras pin ups brasileiras soube manobrar as distâncias entre ingenuidade e safadeza, erotismo e vulgaridade, teatro de revista e revista de sacanagem. Foi cantora em Nova York e Porto Rico (“É bom para o moral”, seu hit), musa dos presidiários do Carandiru, única mulher a rebolar na frente de 100 mil garimpeiros em corajosos shows em Serra Pelada, namorada de Gonzaguinha, Edson Celulari e Pelé.

Com Chacrinha & colegas; não fui eu quem cortou a foto, juro

Na TV, assistente de Chacrinha e Bolinha, encarnou a mais pilantra das chacretes. O que era aquele dedo que ela girava devagarinho, em vez de desenhar um círculo grande no ar, como todas as chacretes, durante o “Roda e avisa”? “Ah… eu tinha que me diferenciar das outras chacretes. Então inventei esse gesto, que é aquilo que todo mundo gosta, ué: um dedinho brincando num cuzinho“, ri a bunduda, fã de sexo anal: “Ai, eu acho que as meninas têm que experimentar mesmo. Porque… porque é tão bom, poxa!“, exalta Rita, os olhinhos revirando pra cima. (Ô dó: a ruiva revelou que, desde que se separou do último marido, um mecânico 15 anos mais novo, nunca mais engatou a ré.)

Sabotage confere a derrière da ruiva em Carandiru

No cinema, Rita foi femme fatale em Asa Branca, de Djalma Limonge Batista, em que contracenava com um pequenino Edson Celulari (“pequenino” foi o motivo de o namoro dois dois não ter ido adiante, soltou depois da entrevista), prostituta em chanchadas como Aluga-se Moças, inspiração para a peça O homem que queria ser Rita Cadillac (de Márcio Américo, dirigida por Mário Bortolotto) e coroa voraz em Sedução – pornô que lhe rendeu um imóvel e zero arrependimento. “Foi duro fazer, mas ninguém paga minhas contas“, assume, sempre com sorriso e olhos tristes, apesar do constante bom humor. Hoje, a avó coruja de Larissa (de seu único filho, que – é sério – trabalha com autopeças) simplesmente pretende estudar teatro e viver até os cem anos, conservando os 100 cm de glúteos arrumando a casa e dando suas reboladinhas. Desapegada, feliz e imune ao acaso – chegue ele pela frente ou por trás.


Autor: rbressane

Writer, journalist, editor

5 pensamentos

  1. MUSA!!! Encontrei a Rita, infelizmente, uma vez apenas. Fazendo matéria pro MTV no AR (ela), não só parou o trânsito, na porta do Brancaleone, como conseguiu fazer um fã descuidado bater o carro e continuar sorrindo de felicidade. Essa noite eu não me esquecerei jamais! Vendo que eu era apenas um artista durango que estava ali à contragosto e me sentindo completamente deslocado, me pagou um drink e me fez ficar mais à vontade entre tantas estrelas presentes. Que remédio pra um cara tímido como eu, hein? Uma das mulheres mais inteligentes com quem conversei.
    Sua candidatura à vereadora na Praia Grande rendeu alguma coisa?
    Beijos, Rita!!!
    Braxxx Bressane!

  2. hahaha que história ótima. ela é inteligente mesmo. a vereança não rolou, mas ela continua em PG, onde mora na casa comprada com a grana dos pornôs.

    mas fica a pergunta: pegou?

    abrazz

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