Legalize it?

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Algo parece cheirar mal quando a bíblia do liberalismo defende abertamente a legalização total das drogas. Creio que o objetivo é correto – como a Economist, também defendo a legalização absoluta -, mas os motivos, errados: simplesmente porque combater os narcos sai mais caro [US$ 50 bilhões por ano].

Enfim: se a economia sempre parece estar à frente da filosofia, imagine um supercapitalismo turbinado por free smart and evil drugs. Quem ganha? A indústria farmacêutica. A indústria médica. A cultura do rehab. E, claro, os velhos e bons narcos.

Uns oito anos atrás, subi uns morros cariocas pra entrevistar traficantes sobre a legalização da maconha. Um deles, gerente do preto e do branco no Morro Santo Amaro, me respondeu: “Pode legalizar. A nossa sempre vai ser a melhor”.

Será que vai ser uma mera questão de escolher comprar um laptop na Fnac ou na Santa Ifigênia? Será que, ao se retirar a aura de proibido das substâncias controladas, elas se banalizem feito cerveja quente, perdendo sua condição ritualística? Ou, justamente por perder a aura, se tornem interessantes apenas pelo que são – alteradores de consciência?

Imagina as campanhas publicitárias…

Liniers
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Ainda não sei se, apenas por opção de mercado, e não uma opção filosófica pelo primado da liberdade e responsabilidade individuais, ser legal é legal. Mas não deixa de ser um cenário interessante para refletir… O bróder Torturra aborda o assunto drogas & medicina aqui. E Penn & Teller têm umas dicas:

Que tal se simplesmente começássemos pela legalização do plantio de pequenas hortas de coca, de marihuana, de papoula? Acharia muito mais saudável e inteligente fumar do skank que eu mesmo – não sem trabalho – cultivei, do que usar a facilidade de comprar do trafica descolê. O problema é que com isso eu ganharia no mínimo uns 5 anos de cana.

Sagazmente, Obamis propôs uma nova era de responsabilidade – coisa que evidentemente o free market não tem. Quem sabe nesse conceito more um atalho para uma estratégia mais inventiva de reprogramar nossos estados de percepção, nossa consciência.

Agora, com esse Congresso aí, habitado por mais Collors que Gabeiras, com essa sociedade civil anestesiada pela euforia do consumo e com essa imprensa cusona, sabe quando é que vamos pensar no assunto à vera? No dia em que o arcebispo de Recife e Olinda sacar que é uma anta, pedir desculpas pela existência e se defenestrar do Alto da Sé.

Autor: rbressane

Writer, journalist, editor

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