Not so young, still gods



Se você não foi ao SescPompéia entre 5a e sábado, perdeu, régis: a banda suíça Young Gods mandou canções matadoras, como esta sua releitura de ‘Speak low’, de Weill/Nash. O grupo formado em 1985 foi uma das atrações principais de um ciclo de shows, palestras e exposições alicerçados em uma incerta “contracultura”.

[Contra o quê mesmo, cara-pálida? Alguém precisa avisar os régis tabacudos que a contracultura venceu, a tropicália está no poder e veneráveis como Hendrix e os beatniks são ícones do mainstream. A organização do festival hipporongo devia zerar essa reza e vender logo cópias baratinhas daqueles maravilhosos pôsteres do Wes Wilson expostos junto ao laguinho interno do Sesc. Afinal, não se trata mesmo de serviço social do comércio? Contracultura de verdade seria jogar uma bomba no horroroso vizinho do Sesc, o tal do Bourbon. Aliás, só no Bananão que um mercado leva nome de birita e é considerado chique.]


Pressionada pela bizarra imposição sesquiana de tocar abaixo de 100db, uma das bandas precursoras do rock industrial e da moderna ambient music fez um set totalmente acústico [claro que usando muitos efeitos], três violões e percussões diversas, mais coisas como um baixo/viola de 3 cordas, gaita [como slide], escaleta e plugue [!]. Surpreendente como uma banda suíça eletrônica desplugada vira… um grupo de blues californiano com os dois pés fincados na psicodelia. Na real, São Paulo se deparou no susto com a cara do próximo álbum dos suíços, a ser lançado semana que vem, Knock on wood. Além de clássicos como ‘Gasoline man’, ‘She rains’, ‘Our house’, ‘Kissing the sun’, ‘Skinflowers’ e ‘Lointaine’, ainda tocaram ‘Everything in its right place’, do Radiohead e, pasme, Ritchie Havens [‘Freedom’, famosa em Woodstock – como se lê aqui no blog do Skylab, eles costumam fazer um set cover do festival em que, em vez do hino yankee, mandam o hino helvético].


Aí você se lembra dos caça-níqueis acústicos da MTV… e pensa: que felicidade ainda existirem bandas com coragem para reinventar seu som [não é à toa que Mike Patton é ]. O morrisoniano vocal Franz Treichler, de pai brasileiro e avó amazonense [leia entrevista com os caras feita em 2004 pelo Matias], falava em português o tempo todo e terminou o show com um sorriso enorme na cara. Apesar dos maletismos sesquianos [não poder fumar na choperia, horários regrados e essa esquisitice de som baixo], quem mais traz uma banda mítica desse naipe a 24 pilas? Alguma operadora de celular? Mas aí sim estaríamos falando em contracultura…

Autor: rbressane

Writer, journalist, editor

4 pensamentos

  1. Young Gods acústico? Meus antigos LPs são todos barulhentos. É como Kraftwerk tocando violões. Que merda… mais uns vendidos… uma pena… reinventar? Reinventar é o que eles faziam. Agora é só um Acústico MTV travestido de modernidade para brazuca ver…

  2. Não, cara, você não entendeu nada. Releia o texto, por favor, antes de falar bobagem. E vê se se liga na trajetória do YG – eles estão longe de ser ‘vendidos’.
    Aliás, Kraftwerk tocando violões não seria má idéia…
    abz
    RB

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