
Na primavera de 1998, Bluma Lennon comprou numa livraria do Soho um velho exemplar dos Poemas de Emily Dickinson, e, ao chegar ao segundo poema, na primeira esquina, foi atropelada por um automóvel.
Já que falamos de grandes primeiras frases, eis mais uma – desta vez, de Carlos María Dominguez, em A casa de papel [Francis]. O argentino vive no Uruguai [onde assenta-se a casinha acima, mais especificamente na praia Punta del Diablo], e lá escreveu a biografia do grande Onetti. Neste seu pequeno livro [quase 100 páginas], comprova com elegância, simplicidade, humor e engenho como, ao contrário do que se imagina, os livros realmente mudam as pessoas – ainda que as pessoas também mudem os livros.
Nós, leitores, espiamos a biblioteca dos amigos, mesmo que seja só como distração. Às vezes para descobrir um livro que queríamos ler e não temos, outras para saber de que se alimentou o animal que está à nossa frente.
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