Pra ler na ergométrica

Os primeiros sintomas do mal os senti em meu corpo certa manhã que despertei mais tarde que de costume. Foi um amanhecer bastante curioso. Com as primeiras luzes da alvorada me sobressaltou um pesadelo. Sonhei que regressava ao colégio onde estudei o primário e ninguém me reconhecia. Se bem que é certo que na aparência tinha o mesmo aspecto de quando era criança, havia algo em mim que delatava o peso dos anos. Era algo assim como um homem velho no corpo de um menino.

Mario Bellatin, Salón de belleza [breve será traduzido aqui]

Há poucas coisas mais deprimentes do que a dor crônica, e havia certas agonias físicas das quais achei que jamais conseguiria me livrar. Flannery O’Connor escreveu: “A doença é um lugar onde não existe companhia”. Inconscientemente, talvez eu estivesse me preparando para a morte, assim como me lembro de ter me preparado para a morte dos meus pais. Percebi como a morte tinha se tornado parte significativa de minha vida. Quando jovem e duro, eu sempre pensava: será que tenho dinheiro para isso? Já mais velho, pensava comigo: será que tenho tempo para isso?

Hanif Kureishi, O corpo

Havia se casado três vezes, tivera amantes, filhos e um emprego interessante em que conhecera o sucesso, mas agora fugir da morte se tornara a preocupação principal de sua vida, e toda a sua história se resumia ao processo de decadência do corpo.

Philip Roth, Homem comum

Autor: rbressane

Writer, journalist, editor

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