Não leia essa resenha

A melhor coisa antes de ir ver um filme é não saber nada sobre o filme. Nada, absolutamente nada. Isso é cada vez mais difícil hoje em dia, para nós, infestados por informação, contaminados por contatos o tempo todo. O melhor da vida talvez seja fechar-se no próprio quarto e só sair para ir ao cinema direto, sem ler nada, jornais ou internet, sem saber mais nada que o preço do ingresso. Agora, pense nesse jeito de ir ao cinema como uma maneira de conhecer alguém…

Você vai conhecer alguém, alguém de que nunca ouviu falar, alguém que não conheceu no trabalho, na balada, na faculdade, ou por um amigo, por um parente, por acaso. Você vai conhecer alguém que nunca viu e esse alguém vai conhecer você absolutamente. Vai ver essa pessoa sem a impressão ou conceito de nenhuma outra. Sem estar infestado de informação ou contaminado por contato com um outro alguém. Não existe nada além do seu julgamento e do julgamento dessa pessoa. Assim, você vai se apaixonar completamente por essa pessoa e essa pessoa vai se apaixonar completamente por você. Vai acreditar totalmente nela. Porque você quer.

Porque você quer, vai querer se fundir a ela. A vida de vocês dois será uma só. Você vai querer ser a outra pessoa: fazer filhos com ela, o máximo de filhos possível; e, quando você e essa pessoa tiverem se multiplicado sobre a terra, poderão morrer – uma morte gloriosa, desesperada e feliz.

Todos sabem
A melhor coisa antes de ir ver um filme é não saber nada sobre o filme. Bom, se você está aqui, é porque não obedeceu ao título e leu essa resenha de Bug, de William Friedkin. Eu avisei. Se você quiser ler uma resenha que conte o filme inteiro, é por aqui [nunca vi um link tão desmancha-prazeres].

Ou então, uma resenha nota 5 seria… a ressurreição de Friedkin [o cara que escreveu e dirigiu O exorcista], brilhantes interpretações, uma terrível seqüência com automutilação, um uso genial do silvertape, trilha sonora bacana com Chris Cornell e Velvet Revolver, senso perfeito de timing para um thriller [ou filme de horror, como o vendem], que atinge às vezes uma tensão insuportável… e coisas assim. Prefiro ver Bug como uma canção de amor nos tempos da paranóia.

Acho que eu queria nunca ter escrito essa resenha. Agora sei que escrevi só porque devo estar contaminado. Sim, com certeza, já estou contaminado. Breve, vou estar contaminando. Sei disso. E você também sabe.

Autor: rbressane

Writer, journalist, editor

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