Submarino #03

ilustra Ale Kalko

Contos dos Confins traz 36 ficções breves dos 36 autores das minhas oficinas de escrita criativa

Clique abaixo para ler o Submarino #03.

Por que a terceira edição do Submarino tem o tema Contos dos Confins?

1) todos os 36 contos foram escritos durante o confinamento exigido pela pandemia;
2) falam, mas quase nunca, de covid e quarentena (assuntos que por vezes comparecem só como cenário de fundo); muitos viajam para paisagens longínquas;
3) virtuais, as escotilhas se abriram a marujos de norte a sul,
do oeste ao leste do Brasil.

Com a pandemia, a frota do laboratório Submarino multiplicou-se. O que antes era uma oficina literária presencial toda segunda, ampliou-se no Sub Dois, às terças, e no Sub Três, às quartas; e às quintas recebeu a companhia da Primeira Pessoa, oficina focada na autoficção. Sempre sob o lema competitividade + solidariedade, os cursos são infinitos, uma viagem sem prazo pra acabar: desde que partiu, em 2014, o Sub Um leu mais de 100 autores.

Uma rara boa nova deste 2020 tão fora de prumo foi a explosão dos cursos online. Eu tinha lá meus preconceitos e prevenções ao tal EAD, mas confirmo que do nosso jeito funciona. Primeiro que trouxe a esta imersão literária a visita de vozes distantes do nosso porto em São Paulo, e com isso uma maior diversidade de assuntos, percepções, estilos. Segundo porque,
ancorados em casa, o que mais fizemos foi escrever e ler (e ver séries e encher a pança e xingar o Bozo y otras cositas más). Terceiro porque, apesar de todos os icebergs pelo caminho –
a conexão que desconecta, a bizarra metamorfose em talking heads, o timbre eletrônico das leituras –, nossos mergulhos no Zoom, que chegam a cinco horas e não desdenham umas garrafas de rum, para muitos se constituíram em um dos breves momentos da semana em que tivemos um encontro real.

Tudo aqui foi lido em voz alta. Calor humano, enfim.


Como sugere o filósofo italiano Luciano Floridi, vivemos em plena pós-história – o momento em que o virtual interfere de fato no real. Nada mais pós-histórico do que as narrativas deste zine, e nada mais pré-histórico também, porque seguimos, como há milhares de anos, nos encontrando ao redor de uma fogueira noturna para contar histórias e, com isso, espantar
o medo da morte e festejar a vida. Seja bem-vindo à nossa fogueira virtual.

Autor: rbressane

Writer, journalist, editor

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