Uma hora ia acontecer. Desde que o graffiti de SP hypou, pixadores não têm visto com bons olhos que os antigos companheiros de correria tenham assumido a vanguarda da street art no mundo. A lata virou, e quem pagou o pato foi a Choque Cultural, mais bem-sucedida galeria de arte dedicada à street art em ação na cidade [a pioneira foi a Most, do Flip].
Cerca de 30 pixadores invadiram a Choque nesse sábado e mandaram all over the place suas palavras de[s]ordem “em protesto à comercialização, institucionalização e domesticação da cultura de rua, por parte dos galeristas e do poder público“.
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UPDATE: Já estão dizendo que o ataque teria sido encomendado… Conversei agora com o tatuador JP Pabst, filho de Baixo e Tia Mari, e ele riu da absurda teoria conspiratória. Aproveitou pra dizer que o estrago foi mais em cima da obra do Speto; os danos às outras peças se restringiram às molduras. E pediu que o assunto seja esquecido. Aguardemos a nota oficial da Choque.
UPDATE 2: A repercussão do fato é curiosa. Enquanto radicais chiques como Pinky Wainer aplaudem o ato e pedem bis [haha, queria ver se pixassem tua loja, Pinky…], o Estadão pondera sobre o fato, no retorno ao jornalismo do bróder Ivan Marsiglia, e a Vejinha… bom, a Vejinha fez a merdinha de sempre, embalada pra classe média. Veje você mess.
UPDATE 3 [26-10]: Pois é, o vazio durou pouco.

Segue a resenha…
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Seria mais ou menos o que faria um dadaísta puto com Duchamp [provavelmente ele mijaria no famoso penico], Van Gogh tendo um chilique no Primeiro Salão dos Impressionistas [‘arte só se faz na rua, pega aqui essa orelha e enfia’], Johnny Rotten entrando no meio de um show do Clash xingando seus ex-companheiros de ‘traidores do movimento’…
Ou seja, um nó. O pixo, que se assume como arte enquanto crime, é primo do graffiti – nasceu no mesmo lugar, e alguns grafiteiros famosos deixaram sua marca preta pelas ruas da cidade [como Zezão, que assinava VICIO pif dst]. Muitos outros grafiteiros largaram o crime e se firmaram como artistas plásticos. Tem neguinho que não perdoa – vide a fúria com que obras de Speto e Titi Freak foram pixadas. O que parece ter mais a ver com ressentimento de gangue do que com debate artístico.
Pra embolar o meio-de-campo, uma das donas da Galeria, Mariana Pabst, provoca, nos comentários do Flickr do Choque [atenção, é ‘o’ Choque, fotógrafo que teria documentado os protestos]: “a Choque nunca comercializou pixo exatamente por achar que pixo é na cidade, não na galeria. Só que agora o pessoal deixou uns quadros bem legais lá, da mais espontânea pixação paulistana, e eu estou realmente pensando em vender na Alemanha e ganhar uma grana com isso…”. Mariana e seu marido, Baixo Ribeiro, não pretendem acionar a polícia – e poderiam, se quisessem, até porque é fácil identificar os atacantes.
É justamente a desculpa que a polícia e o poder público querem para poder sentar a porrada nos pixadores. O ataque teria sido coordenado por Rafael Pixobomb – o mesmo que pixou a Escola de Belas Artes. O próximo passo? Pixar a Bienal, segundo dizem por aí. Pode dar merda. E pode até dar em arte. Há quem diga que é a mesma coisa.
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