Egotrip

Já enjoou da autoficção? Bem, amigue, talvez você esteja lendo autoficção ruim. Não dou holofote pra zé-ruela nem mala sem alça, então não vou citar o livro que todo Substack está falando (mal).

Nem tanto pelo livro, que tem lá seus momentos, mas sobretudo pela postura da autora. Mas como em autoficção uma coisa não se dissocia da outra, lanço aqui meus dois centavos – e convoco interessados para meu novo curso de escrita criativa.

Um dos problemas cruciais da autoficção é que, se você tem uma vida chata e só fala de si, mesmo com muita verve o livro se esgota e esvazia. As escritas de si não necessariamente precisam ser as escritas do EU acima de tudo, meu dinheiro e minhas neuroses acima de todos.

E sim, todo narciso acha feio o que não é espelho – mas há muitos narcisos que convidam amigos pra não nadarem e se afogarem sozinhos em seus laguinhos.

A autoficção que considero mais interessante é a da chamada virada etnográfica, conceito antropológico que questiona como o Outro pode desenhar o Eu.

É a autoficção que usa o umbigo como trampolim para o mundo – e não o contrário.

As escritas de si não precisam ser só sobre si – mas principalmente a partir de si.

Narciso Centauro, de Paulo Ito: um ícone do bairro da Pompeia, SP. Foi Ito quem criou o prompt original – a partir do prompt dos prompts, o Narciso de Caravaggio – que me inspirou a criar a arte deste post, usando IAs

Em Egotrip, meu novo curso, vamos ler e praticar autoficção. Do diário ao ensaio, passando por crônica, conto e romance, vários formatos das escritas de si vão aparecer nos nossos cinco encontros: 1, 9, 15, 22 e 29 de setembro, toda segunda, entre as 20h e as 23h, via Meet.

Vou dar propostas para a escrita de textos que vão ser lidos e comentados ao vivo nos encontros. Vou falar especialmente de autores que usam a autoficção para investigar o Outro: a crônica brasileira dos 60, Carrère, Rachel Cusk, Mario Levrero, Julio Ramón Ribeyro, Susan Sontag, Ricardo Piglia, Geoff Dyer, Roberto Bolaño, Djaimilia Pereira de Almeida, Kalaf Epalanga, Patty Smith…

Aém, é claro, do tema do meu doutorado, Carlos Sussekind.

Por apenas 499 haddads, toda aula é gravada, todo texto é analisado. Inscreva-se: ronaldobressane@gmail.com. Egotrip vale como uma introdução ao Submarino, meu curso infinito de ficções breves. Bora?

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Autor: rbressane

Writer, journalist, editor

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